Introdução
Esse é um momento crucial na minha vida, e eu quero celebrar com a Rita e com você, escrevendo a história que me motiva a compartilhá-lo.
Nunca é tarde para recomeçar. É um jargão, e daí? A verdade é que estamos sempre recomeçando. Mas também é verdade que alguns recomeços são mais importantes e marcantes que outros.
Por exemplo, recomeçar na academia depois de uma longa pausa é uma baita conquista e um baita recomeço, ainda que passageiro.
Eu estou falando aqui daquele restart geral, um recomeço das cinzas. Já passou por algo assim? Tudo desaba, e você perde o chão, porque tudo o que antes era sólido e seguro agora desmorona, por fora e por dentro.
O budismo tibetano me ensinou que esse é um bom lugar de se estar, porque na verdade é o único lugar que existe. Não temos e nunca teremos certeza do que vai nos acontecer daqui a pouco. Podemos morrer, e ficar sem chão é um pouco como morrer (pelo menos é assim que eu sinto).
E ao morrer para o antigo, o recomeço vem junto. Tipo a fênix, que renasce das cinzas. Sinto-me renascendo, e por isso me animei a te contar essa história. Vem comigo…
Do inicio até a primeira transição
Foi lá que conheci algumas pessoas que juntas fizeram o impensável: criaram uma empresa para fornecer serviços de informática médica para clínicas, universidades e centros de pesquisa. Éramos três técnicos (um deles era eu) e três engenheiros. Foi uma época de muito aprendizado, que durou uns três anos.
Minha próxima aventura digna de nota foi em uma empresa de software para indústrias, onde eu trabalhava como programador, e o dono me elogiava dizendo que eu tinha “sangue nos dentes”, de tão ambicioso que eu era (e ele adorava isso).
Meu lado professor queria se expressar, eu então fui trabalhar em uma empresa de treinamento corporativo, que ensinava aos analistas de sistemas como desenvolver um sistema. Depois, continuei esse mesmo tipo de trabalho por muitos anos em uma empresa multinacional.
O caminho que eu estava seguindo já apontava a minha próxima posição: gerente de informática. Cheguei a esse posto na casa dos 35 anos, e fui do céu para o inferno em muito pouco tempo. Cheguei a um alto grau de prestígio realizando um projeto fenomenal, que economizou muita grana para a empresa. Do outro lado, estava acabado, precisando “juntar os cacos”.
Era o meu início com a Rita, e de certa forma senti-me pronto para fazer a minha primeira transição de carreira. Era o ano de 1998, e eu enveredei pelo lado do que na época se chamava desenvolvimento sustentável. Me envolvi com pessoas e empresas muitíssimo interessantes, mas tudo estava muito no início, e eu não soube me posicionar. O sonho acabou logo.
Tentei também pelo lado do terceiro setor. Na época tínhamos uma ONG, o CCA – Centro para Cura das Atitudes, e eu vislumbrei a possibilidade de fazer projetos dessa instituição com as empresas. Também não deu certo.
A visita ao inferno
Foi aí que começou uma fase muito desafiadora. Me envolvi com pessoas inescrupulosas, que me levaram por um caminho que me machucou muito. Ao longo de alguns anos, trabalhei como autônomo e sócio em empreendimentos que não ressoavam comigo, mas eu estava lá por causa do dinheiro.
Foram momentos em que tive que lidar com questões profundas: humilhação, orgulho, ameaças, medo, raiva eram constantes em um ambiente de trabalho extremamente tóxico.
Um dia, diante de uma situação muito complicada, tomei a decisão de acabar com tudo aquilo. Abandonei a sociedade e as pessoas tóxicas e recomecei a vida profissional em uma empresa da área financeira, convidado por um amigo. Eu precisava de alguma estabilidade, e ela havia chegado.
Voltam os anos de ouro
Estar nessa empresa reacendeu algo em mim. Eu estava feliz, apesar de estar fazendo algo de que eu já não gostava mais. Meu cargo era gerente de projetos, e eu voltava para a área de tecnologia, agora para tocar projetos na área de cartões. Corria o ano de 2006.
Fiz vários amigos, aprendi muito, resolvi minhas dívidas. Mas depois de 5 anos eu já estava cansado. Nada mais me satisfazia. Eu sentia um vazio. Eu já trabalhava com as tigelas de cristal, que era o que sustentava a minha alma verdadeiramente.
Então, depois de finalizar em 2011 a minha pós graduação em musicoterapia, curso que fiz por causa das tigelas de cristal, finalmente eu iniciava a minha segunda transição, dessa vez, com mais clareza e planejamento (algo que nunca foi o meu forte).
Começa a Som de Cristal
Estou fora do mundo corporativo no primeiro dia do ano de 2012. Foi um grande alívio, pois há tempos minha alma já estava fora daquele lugar, e o corpo reclamava muito. Fiz bons amigos, sou grato por esse período, e estava pronto para começar uma nova empreitada, que eu, sinceramente, não sabia bem o que era.
O que eu sabia é que estava amando tocar as tigelas de cristal com a Rita, em vários lugares e contextos diferentes, sempre levando essa medicina maravilhosa que é som para que as pessoas conhecessem.
Não estava lá muito convencido de que isso poderia se transformar em um negócio em que eu pudesse me sustentar, embora as vendas informais estivessem crescendo.
Uma das minhas primeiras providências ao começar minha nova fase foi procurar um amigo que trabalhava em uma empresa respeitada na área de treinamento corporativo. Ele me indicou e lá fui eu fazer o processo seletivo. Cheguei ao final desse processo com mais dez pessoas, e nossa prova era falar qualquer coisa para uma banca com o presidente e diretores da empresa.
Ao final, a psicóloga que estava à frente do processo me perguntou: “Luiz, você tem certeza de que realmente quer trabalhar com treinamento? Você falou com tanta alegria e vigor sobre as tigelas de cristal que fico pensando se não seria o caso de você trabalhar com elas.”
Sábias e profundas palavras, mas que não me demoveram de insistir em seguir em frente no processo seletivo, pois eu havia sido aprovado pela banca. Passei no teste final feito com a psicóloga, mas a empresa fechou as vagas, já que um grande cliente havia cancelado um contrato.
Interpretei que era o universo me dizendo para seguir em frente com o negócio das tigelas de cristal. Assim, eu e a Rita criamos oficialmente a Som de Cristal em 2014. Já vínhamos fazendo muitas coisas com as tigelas, inclusive ministrando workshops de um dia para ensinar as pessoas a tocarem.
Foi nessa época que desenvolvemos a nossa metodologia para atender pessoas individualmente e também a técnica para fazer banhos sonoros com tigelas de cristal e instrumentos de quartzo para grupos. Viajamos muito pelo Brasil para disseminar as vibrações cristalinas.
Criamos retiros, meditações, cerimônias e finalmente, em 2019, ministramos o nosso primeiro curso de formação. Esse curso foi um divisor de águas, pois foi a primeira tentativa de sistematizar nossos anos de conhecimento e experiência, incluindo no curso a cura das atitudes. Escrevi mais de 400 páginas de apostilas para esse curso, o que me deixou surpreso.
O “quase” burnout
Com a pandemia, vieram os cursos online. Testamos um tipo de curso mais longo ao vivo via Zoom, que foi muito importante para aprendermos a arte de transmitir o som das tigelas de cristal pela Internet. Até hoje usamos os equipamentos daquela época.
Como consequência disso, um dos quartos da nossa casa se transformou em um estúdio, já que a demanda para produção e transmissão de vídeos estava sempre crescendo.
Em paralelo, o negócio da venda dos instrumentos propriamente dita, e todas as questões comerciais, operacionais e financeiras envolvidas estavam rolando. Era o dia a dia da empresa, e os problemas apareciam a todo momento.
Ao longo dos anos, estruturei a Som de Cristal com um site, um fornecedor de instrumentos na China, processos bem definidos de importação, estoque e envio pelo correio. Desenvolvi um fornecedor de instrumentos nacional, que depois acabou se revelando uma peça fundamental para o nascimento do Instituto Som de Cristal, que nessa época não existia nem em sonho.
Mas todo esse esforço teve um preço: eu quase entrei em colapso no final de 2021. Depois que o pior passou, eu disse para mim mesmo que iria finalmente escutar o chamado da minha alma – eu iria trabalhar ensinando. Ensinar é o meu ofício. “O tanto que já aprendi”, eu pensava, “e não tenho tempo de passar isso para as pessoas? Não pode ser assim.”
Foi quando cheguei a conclusão que eu ou fechava a Som de Cristal, ou encontrava um sócio. Foi nesse momento que nasceu a Som de Cristal Produtos, com a chegada do Marco Barboza, que era o fornecedor de harpas de quartzo para a Som de Cristal desde 2018.
Finalmente a porta se abria. Agora nós, eu e Rita, estávamos mais livres para pensar e sonhar como iríamos trabalhar (ensinando) com as tigelas de cristal.
O curso e o livro
Após os acertos próprios de início de sociedade, eu pude me dedicar mais aos cursos. E foi depois de um tempo que nasceu o curso completo de sound healing com tigelas de cristal. Eu senti a necessidade de criar algo abrangente, e mergulhei em um processo que durou um ano e meio, mas que no final valeu a pena.
O curso foi muito transformador para mim. Foi incrível descobrir novas coisas sobre as tigelas de cristal, mesmo praticando de forma intensa há anos. O resultado foi um curso robusto e consistente, que resume uma boa parte da minha formação no sound healing com os instrumentos de quartzo.
Mais recentemente, juntei tudo o que havia escrito em todos esses anos e transformei em um livro. Não sabia que podia fazer tudo sozinho: formatar o livro e vender sob demanda, sem precisar investir em estoque de livro físico.
O resultado foi um guia essencial do sound healing com as tigelas de cristal e instrumentos de quartzo em dois volumes, que atualmente está à venda na Amazon, tanto no formato físico quanto Ebook Kindle.
Mas tanto o livro quanto o curso completo estavam soltos dentro do conjunto de produtos que oferecemos. Faltava um “framework”, uma base sobre a qual nossos produtos educacionais fizessem sentido.
Nasce o Instituto Som de Cristal
A ideia do Instituto estava em gestação nas várias conversas que eu tinha com a Rita na nossa salinha de meditação. As nossas atividades – cursos, cerimônias, meditações e banhos sonoros eram próprias de serviços prestados, e por isso a ideia de um Instituto fazia muito sentido.
Aos poucos ele foi tomando forma nas nossas conversas, e começou a ser materializado em um site, que lançamos essa semana, Julho de 2025, depois de três meses de trabalho duro.
Junto com a materialização do site do Instituto, nasceu também o que se tornou o centro de todas as atividades: a nossa Trilha de Aprendizado.
A trilha conectou todos os cursos que oferecíamos em um todo coerente, que compõem uma jornada, um caminho com sete cursos que atendem desde quem quer somente conhecer as tigelas até aqueles que querem se profissionalizar no campo do sound healing com tigelas de cristal.
Me dei conta de que esse é o início de uma escola. Uma escola que nasce para continuar espalhando, agora de forma mais estruturada, as sementes amorosas desse som tão dadivoso para aqueles que param para escutá-lo.
Essa foi uma enorme realização, que trouxe a simplicidade e a consistência para uma estrutura que eu nunca imaginaria pudesse existir. Foi a energia do som das tigelas, a força que elas possuem por serem instrumentos de Deus, que foi nos levando, passo a passo, em direção ao insight do Instituto e da Trilha de Aprendizado.
Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo em que a minha vida pessoal está virada de cabeça para baixo, com inúmeras crises e desafios. Chegar nesse ponto foi um bálsamo que me mostrou que estou no caminho certo, que estou recomeçando.
Para finalizar
Como eu disse no início, estamos sempre recomeçando. A vida é um eterno “escolher novamente”, a todos os instantes.
Escolhi “ver o amor e o que une ao invés do erro e o que desune” muitas e muitas vezes. Me esqueci muitas vezes também. Mas graças a Deus pude escolher novamente, pude recomeçar.
Onde esse recomeço vai dar?
Não faço a menor ideia. A única coisa que sei é que nunca estive tão feliz em toda minha vida, uma alegria genuína, que vem lá de dentro, do meu contato com Deus.
O Instituto é o instrumento que tenho, e que criei para ser, eu próprio, um instrumento de Deus através do som das tigelas de cristal. Que enorme privilégio! Sou infinitamente grato por isso!
Com Amor,
Luiz Pontes
Se você chegou até aqui, considere deixar um comentário sincero a respeito do que sentiu lendo o texto. Você não faz ideia de quanto isso é importante para mim. Valeu!!
PS: Um novo recomeço no amor é sempre a maior contribuição que podemos dar para a paz verdadeira na Terra, e para reconhecer que todos somos iguais. Esta música da Tracy Chapman traduz isso numa pegada pop maravilhosa, que integra, além de tudo, um instrumento ancestral incrível, o didgeridoo que eu tanto amo.