Tigela Tibetana e de Cristal: Semelhanças e Diferenças

No campo das terapias integrativas e da espiritualidade contemporânea, dois instrumentos sonoros ganham cada vez mais destaque: as tigelas tibetanas e as tigelas de cristal. Ambas são utilizadas em práticas de meditação, sound healing, relaxamento profundo e desenvolvimento pessoal. Embora compartilhem propósitos similares, são instrumentos bastante distintos, tanto em sua origem quanto em seus efeitos sonoros e simbologia. Neste artigo eu comparo esses dois instrumentos sagrados em profundidade, com o intuito de oferecer uma compreensão clara para terapeutas, buscadores espirituais e praticantes de sound healing.
tres tigelas tibetanas e quatro tigelas de cristal dispostas em circulo.

Origem e história

Tigelas Tibetanas

Existe muita controvérsia a respeito de como as tigelas de metal surgiram para o mundo. A maioria das pessoas conhecem estas tigelas como “tibetanas”, mas diversos autores dizem que elas não são originárias do Tibete, mas sim da Índia e do Nepal. Por isso são conhecidas também como “tigelas do Himalaia” ou “tigelas de metal”.

Algumas histórias contam que essas tigelas foram trazidas para o Nepal vindas da Índia, onde eram usadas como “prayer bowls” (tigelas de oração).[1] Especula-se que eles consideravam as tigelas tão poderosas que somente monges de alto grau de desenvolvimento poderiam utilizá-las.

Transformaram-se em instrumentos conhecidos pelo ocidente devido ao movimento hippie, que demonstrou um crescente interesse pelas filosofias orientais a partir da década de 60. O som profundamente relaxante dessas tigelas chamou a atenção dessas pessoas, que começaram a utilizar em suas práticas de meditação. Uma das referências nesse campo é Frank Perry, um dos pioneiros a trazer as tigelas de metal para o ocidente[2].

Tigelas de Cristal

A origem das tigelas de cristal é a indústria dos semicondutores (chips dos computadores). Devido a crescente demanda por silício, a matéria prima dos chips de computadores, surgiu na década de 1950 uma tecnologia que tornava possível o cultivo do silício em laboratório, os cadinhos de quartzo (quartz crucibles).

Eles possibilitaram a expansão da indústria dos computadores, e até hoje são componentes essenciais na fabricação de chips de silício, que são o coração de todos os equipamentos eletrônicos que existem hoje, incluindo a Internet.

No final dos anos 80, na Califórnia, EUA, um terapeuta “descobriu” que esses cadinhos usados na indústria fazia um som bastante peculiar e agradável quando estimulado por um bastão. A partir dessa descoberta, vários terapeutas holísticos passaram a utilizá-la em seus atendimentos. Esse foi o início da jornada das tigelas de cristal no mundo.

Hoje os fabricantes das tigelas, que no passado atendiam a demanda da área industrial para a fabricação de chips, também atendem a área da medicina integrativa, que é onde as tigelas de cristal estão inseridas.

Material e Tipos

Tigelas Tibetanas

Existem basicamente dois tipos de tigelas tibetanas: as feitas na máquina e as artesanais.

Originalmente, as tigelas sempre foram artesanais. Famílias de nepaleses e indianos se reúnem para forjar no fogo uma tigela resultante de uma liga de vários metais – podem ser até 12. Existem tigelas antigas e novas, que podem (ou não) possuir marcas de batidas em seu corpo, o que torna cada tigela única. São terapêuticas por natureza, sendo utilizadas no mundo todo. Essa combinação confere às tigelas tibetanas um som rico em harmônicos e um aspecto artesanal único.

Já as tigelas de metal feitas à máquina possuem em sua composição menos metais e são forjadas em escala industrial usando um molde, o que as torna padronizadas. Essas tigelas podem ser identificadas pelo tom mais escuro com pinturas na parede externa e algumas vezes alto relevo na base interna.

Você encontrará na Internet aquelas tigelas bem pequenas, com um custo muito acessível, que servem para você começar nesse campo do som terapêutico. Dependendo do modelo, elas podem ser mais difíceis de tirar o som.

Tigelas de Cristal

As tigelas de cristal são sempre feitas em máquinas. Não existe uma tigela de cristal artesanal. Isso é assim porque o pó do cristal de quartzo, que é a matéria prima da tigela, precisa ser derretido a uma temperatura de fusão de 1800 graus, o que exige uma infra estrutura de uma planta industrial que só os países desenvolvidos possuem.

A matéria prima é o pó do cristal de quartzo de altíssima pureza. Isso é assim porque os cadinhos da indústria não podem transmitir impurezas durante o processo de cultivo de silício, e esse é um dos motivos que faz o quartzo ser utilizado até hoje.

A partir do momento em que se descobriu que o cadinho fazia um som que era agradável e relaxante, seu uso se expandiu para incluir também o público que gosta de som terapêutico, ou sound healing.

Podem ser do tipo fosco branco (as mais comuns) ou fosco colorido; transparentes, transparentes coloridas ou alquímicas, que são aquelas que possuem outras pedras ou minerais em sua composição.

Propriedades acústicas

Tigelas Tibetanas

O som das tigelas tibetanas é complexo, ou seja, cheio de harmônicos, que são sons dentro de sons. A sua nota fundamental não é tão destacada por causa dos inúmeros harmônicos, que vão depender por sua vez da quantidade de metais na tigela.

As artesanais de boa qualidade são voltadas para trabalhos terapêuticos específicos, com ênfase no corpo físico. Normalmente são estimuladas com um bastão através de badaladas e ficam sobre o corpo da pessoa (é recomendado que somente terapeutas do som façam essa manobra). Não são indicadas para girar (drone) porque saturam o som muito rápido.

As feitas em máquina não tem tantos harmônicos quanto as artesanais, sendo indicadas para quem está começando, inclusive por causa do preço. Nelas é possível girar o bastão em volta da parede externa, produzindo o drone musical, que é aquele som sustentado de apenas uma nota musical.

Tigelas de Cristal

O som das tigelas de cristal é puro, limpo e cristalino, por causa do material: só existe praticamente um elemento na tigela, que é o quartzo num grau de pureza que ultrapassa 99%.

Isso faz com que a tigela produza um som penetrante, com uma fundamental muito bem definida, principalmente quando é estimulada através do giro, produzindo um drone musical ainda mais focado, com uma nota fundamental bem definida.

As tigelas transparentes são mais adequadas para se badalar, porque possuem mais harmônicos, mas também pode-se trabalhar com elas girando para produzir o drone musical. No entanto, as foscas possuem um expansão sonora mais potente, o som vai mais longe com elas.

Algumas das tigelas de cristal podem ser coloridas, mas isso não altera o som.

Quando tocadas em conjunto produzem sons altamente curativos e relaxantes, que levam a profundos estados meditativos.

Simbolismo

Tigelas Tibetanas

As tigelas tibetanas são muito antigas, e por isso carregam a ancestralidade consigo. Elas carregam a simbologia do budismo, que as utiliza de forma extensiva, especialmente o budismo tibetano. O monge vietnamita Thich Nhat Hanh utilizou a tigela tibetana como sino durante toda a sua vida, e criou uma meditação específica para isso.

A presença de símbolos gravados,  como o mantra Om ou símbolos do oriente como Buda, reforça seu papel espiritual.

Tigelas de Cristal

Simbolizam a nova era da consciência, a tecnologia espiritual e a fusão entre ciência e espiritualidade. Por serem feitas de quartzo, estão ligadas à Terra e também carregam consigo a ideia de antiguidade, pois sua matéria prima, o quartzo, demorou milhões de anos para se formar no interior do nosso planeta.

Ela carrega o simbolismo de ser uma ponte entre o moderno e o ancestral, entre a tecnologia e a sabedoria antiga. Quando tocamos a tigela, estamos nos transformando nessas pontes, ajudando que essa energia se estabeleça em nossas vidas e no planeta.

Uso Terapêutico

Tigelas Tibetanas

As tigelas tibetanas são amplamente utilizadas em:

  • Terapias vibracionais integrativas
  • Massagem sonora (com a tigela colocada sobre o corpo)
  • Rituais budistas
  • Meditações
  • Alívio de estresse e ansiedade
Existe um método criado por um alemão chamado Peter Hess que usa as tigelas e outros instrumentos de metal para gerar relaxamento, bem-estar, cura emocional, diminuição de dores entre outras. É um método estabelecido há mais de 40 anos e que conta com um grande reconhecimento ao redor do mundo. Aqui no Brasil é representado pela Academia Peter Hess

 

Tigelas de Cristal

As tigelas de cristal se destacam nas práticas de:

  • Sound healing contemporâneo
  • Banhos sonoros
  • Alinhamento de chakras
  • Meditações guiadas com som
  • Trabalho com intenção e meditações coletivas
  • Uso pessoal para autocuidado
  • Limpeza de ambientes

O Instituto Som de Cristal tem um método que desenvolve desde 2010, e que agora conta com uma trilha de aprendizado, com cursos que atendem desde quem deseja apenas conhecer as tigelas de cristal até aqueles que querem se aprofundar em diversos níveis, sendo o último uma formação que permite atender individualmente como terapeuta do som.

É possível combinar os dois tipos de tigelas?

Hoje em dia, muitos praticantes combinam os dois tipos de tigelas em sessões terapêuticas ou de meditação em grupo, criando contrastes complementares. Enquanto as tigelas tibetanas preparam o campo vibracional com seus harmônicos orgânicos e densos, as tigelas de cristal refinam e organizam o espaço com frequências mais sutis.

Considerações Práticas

Tigelas Tibetanas

  • Mais resistentes a quedas e impactos (não totalmente; se cair, quebra);

  • Fáceis de guardar e transportar;

  • Cuidado extra em locais próximo ao mar, por causa da ferrugem;

  • Podem durar muitas décadas.

Tigelas de Cristal

  • São tigelas de vidro de quartzo, e por isso são frágeis;

  • Devem ser transportadas com muito cuidado (caixas acolchoadas).
  • Requer cuidado na limpeza, especialmente as foscas brancas;

  • Demandam atenção ao armazenamento e manuseio.

Preço e Acessibilidade

Tigelas tibetanas

As produzidas em escala industrial são as mais baratas. As menores são especialmente acessíveis em termos de preço. 

Logo depois vem as feitas à máquina, porém com uma qualidade um pouco melhor.

As artesanais ou com selo terapêutico (p.e. Peter Hess) são bem mais caras. O preço vai depender de muitos fatores, inclusive se a tigela é de fabricação antiga.

Você encontra as tigelas de metal mais baratas normalmente em lojas indianas. As artesanais são mais difíceis de encontrar, somente em revendedores especializados. 

Tigelas de cristal

O modelo de entrada das tigelas de cristal é mais caro do que o mesmo modelo das de metal.

As mais baratas são as foscas brancas, depois as foscas coloridas, as transparentes e as transparentes coloridas.

Depois, em um nível de preço muito alto estão as tigelas alquímicas, que são feitas apenas nos EUA.

Os valores variam de acordo com o tamanho (diâmetro) da tigela.

Você pode conferir os preços das tigelas de cristal navegando no site da loja da Som de Cristal, que as importa da China, garantindo qualidade e disponibilidade imediata. E você ainda consegue escutar a gravação do som de várias tigelas para escolher melhor.

Qual Escolher?

Não há uma resposta para qual tigela é “melhor”. A escolha entre uma tigela de cristal e uma tibetana depende de vários fatores:

  • Intenção terapêutica ou espiritual

  • Ambiente de uso (individual ou em grupo)

  • Sensibilidade auditiva

  • Estética sonora desejada

  • Disponibilidade de orçamento

E principalmente a conexão pessoal com o instrumento. Esse eu diria que é o ponto principal. Você escuta o som, não julga e sente com o coração. Aquela que ressoar com você é a melhor, simplesmente porque você vai ter prazer de escutar e de tocar.

Para conhecer mais do universo das tigelas de cristal, você pode navegar pelo site do Instituto Som de Cristal, que eu, Luiz Pontes, criei com a minha companheira Rita.

Conclusão

Tanto as tigelas tibetanas quanto as de cristal são incríveis, e cada uma tem o seu espaço dentro do campo do sound healing.

O mais importante é que você conheça bem as diferenças e semelhanças, para decidir qual é a mais indicada para a sua jornada. Para isso, eu recomendo que você foque em sentir o som dentro de você.

Se você está começando, saiba que não precisa saber nada sobre frequências, notas musicais ou harmônicos. Basta que você sinta o som, e se ele ressoar dentro de você, pronto, é esse.

Pode ser que você fique na dúvida entre as várias opções, e isso é perfeitamente natural. Se isso acontecer, vá diminuindo as opções. Por exemplo: se você gostou de três tigelas, reserve um tempo para ouvir novamente apenas essas três, e faça o mesmo procedimento.

E se você quer ir mais a fundo em uma ou outra abordagem, eu recomendo:

  1. A Escola do Instituto Som de Cristal, que possui uma trilha de aprendizado que contempla desde quem está começando até quem deseja se tornar um terapeuta do som.
  2. A Academia Peter Hess, que possui a licença no Brasil para ensinar o Método Peter Hess, que é um dos métodos mais consagrados quando se fala de tigelas de metal.

Deixo para você um vídeo onde explico as diferenças entre as tigelas tibetanas e as de cristal. Assista e aproveite para seguir o nosso canal.

Reprodução autorizada desde que citada a fonte.

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Referências

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